Bate-Papo com a Árvore – Entrevistamos a escritora Bárbara Morais!

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Autora da Trilogia Anômalos, economista, fã de David Bowie e aprendiz de viajante no tempo (oi?), Bárbara Morais conversa com a Árvore às vésperas de iniciar em sua nova missão: Juíza no 1o Festival de Curtas da Árvore ao lado do ator Wagner Moura! Entre muitas risadas, lembramos a época de escola, falamos de motivação para escrever e discutimos a possibilidade de fazer uma série sobre seus livros!

Confira como foi o nosso bate-papo!

Árvore: Bárbara, a maioria de nossos leitores e leitoras são ligados a escolas. Então, gostaríamos de saber: Como era a pequena Bárbara na escola?

Bárbara: Ah, eu era terrível! Eu tirava notas muito boas, então eu tinha a sensação de poder fazer o que eu quisesse! Mas não era bagunceira, viu? Eu lia muito nas aulas. Os professores explicavam e eu ficava lendo livro. Mas não recomendo esse desrespeito! Só que, como eu sabia que tirava notas muito boas, eu preferia estudar em casa e ficar lendo na aula. Lia muita ficção, li toda a saga Harry Potter… Sempre que tomava uma bronca eu respondia “Eu estou lendo, mas vou tirar nota boa mesmo assim!” (risos). Era legal, mas não recomendo mesmo!

Árvore: Você sempre gostou de escrever?

Bárbara: Sim! Eu escrevia muitas fanfics no meio da aula. Inventava histórias com personagens de Harry Potter, afinal, eu cresci com Harry Potter. Eu e quatro amigas escrevíamos as histórias, digitávamos e publicávamos na internet… Era muito louco quando achavam a história legal porque a gente imprimia aquele calhamaço de 200 páginas e levava pra escola! O pessoal gostava pra caramba, mas não era nada sustentável.

Árvore: Quem diria que sua motivação para começar a escrever seriam fanfics de Harry Potter! Mas como isso era visto pelos seus pais e pela escola? Você recebia apoio pra continuar escrevendo?

Bárbara: Eu até brinco dizendo que a primeira coisa que eu publiquei na minha vida foi uma história vencedora em um concurso literário da minha escola. Todo ano eles escolhiam 5 alunos de cada série e publicavam um livro!

Árvore: Nossa, que legal!

Bárbara: Sim, muito legal, e existe até hoje! Mas hoje em dia a publicação é digital, eles mandam um e-book pros alunos. E a minha primeira “publicação” foi uma historinha num desses livrinhos quando eu tinha oito anos, na segunda série. Então na escola a gente tinha todo ano essa competição e a gente se motivava a escrever uma super redação (eu normalmente fazia de ficção) para aparecer nesse livrinho. A escola teve um super papel pra eu virar escritora, eu tinha uma professora de redação maravilhosa, até hoje uso as dicas que ela me deu para escrever livros.

Árvore: Quais, por exemplo?

Bárbara: Por exemplo, ela falava “você terminou uma ideia, então coloque ponto final, não vá fazer um parágrafo gigante”. As correções dela eram com ela lendo o texto na nossa frente e riscando as coisas dizendo “isso aqui nao faz sentido” ou então “isso aqui é completamente desnecessário” e esse é um processo que até hoje eu faço na edição de livros. O nome dela era Penha e tudo isso me marcou muito. Dicas como “na introdução você deve dar o espírito da história”, ainda lembro muito.

Árvore: E em casa?

Bárbara: Meus pais sempre me incentivaram muito a ler e a escrever! Foi uma surpresa muito boa quando eu apareci de repente falando “Ah, escrevi um livro e vou publicar”, porque na hora ninguém acreditou! (risos) e foi um impacto muito positivo. Na hora ninguém acreditou, mas hoje em dia quando minha mãe me vê assistindo a uma série no Netflix ela pergunta “Ei, você não tinha que estar escrevendo um livro”?

Árvore: Você estudou dois anos de Engenharia Elétrica e depois se formou em Economia. Como que as suas histórias com Harry Potter continuaram te motivando a escrever? Você nunca pensou em desistir e focar noutras coisas? O que manteve a paixão?

Bárbara: Eu sempre gostei muito de inventar histórias. Por exemplo, quando eu era criança, fazia novelinhas com minhas bonecas. Sempre foi muito natural surgir uma ideia na minha cabeça, e eu tinha que escrevê-la para não perder. Antigamente, eu até escrevia em fóruns de RPG minhas fantasias para usarem como aventuras em jogos para as ideias se desenvolverem. Sempre foi uma válvula de escape para minhas ideias extravasarem.

Árvore: Na Trilogia Anômalos, é possível encontrar muitos temas sociais, como empoderamento, lugar de fala, manipulação pela propaganda e críticas do tipo. E no twitter você costuma abordar muito o lugar da mulher na literatura e o feminismo.  Como você acha que podemos falar sobre esses assuntos mais delicados, como o racismo nos livros de Monteiro Lobato, por exemplo, com os jovens?

Bárbara: Eu espero que, como hoje em dia as coisas sempre são registradas, seja mais difícil haver esquecimentos em casos como esses. Digo tanto quanto esquecer o legado de autores negros e autoras mulheres quanto esses casos de racismo e afins. Vai tudo ficar em algum lugar da internet. Acho que os autores ainda serão esquecidos em algum nível, mas esses assuntos cada vez menos. Sobre os jovens, acho que tomando como exemplo a controvérsia do caso Monteiro Lobato, a gente não pode fingir que não existiu ou proibir. A gente tem que dar pra crianca ler e falar “olha, esse é um comportamento que ainda existe e naquela época existia mais, mas é errado”. Acho que tem que ter o cuidado de esses temas sensíveis como racismo, machismo e etc serem mostrados com crítica e reflexão para criar empatia. Não acho que a gente tem que limpar toda a ficção e fingir que nada aconteceu, isso é apagamento histórico. Eram comportamentos socialmente aceitáveis, mas hoje podem e devem ser usados para despertar o pensamento crítico nas crianças. Usar outros tipos de mídia para criança aprender enquanto se diverte também é legal, até mesmo nos X-Men dá pra abordar isso.

Árvore: E falando justamente de levar o conteúdo para outras mídias, já rolou alguma conversa para levar a Trilogia dos Anômalos para as telonas? Você já pensou na ideia de um filme ou uma série?

Bárbara: Por enquanto, não existe nada nesse sentido. Estamos trabalhando divulgando a série de livros e noutros projetos também. Eu acho que uma adaptação para série de TV ficaria legal, mesmo porque os poderes das mutações não são muito pirotécnicos e não daria muito trabalho pra reproduzir. Mas embora eu tenha muitas outras histórias, eu estou focada noutros projetos. Mas aceito propostas! Tenho até um painel no Pinterest com ideias visuais, atrizes e tudo pra guiar visualmente a série.

Árvore: Qual foi o livro que marcou a sua vida?

Bárbara: Que pergunta difícil! São vários… Ah, mas Harry Potter… Eu queria ser mais original, mas não tem como. Eu comecei Harry Potter quando tinha 10 anos e terminou quando eu tinha 18. Foi o que me fez escrever, e eu fiz amigos na escola porque a gente gostava de Harry Potter. Não tem como ser outro livro.

Árvore: Bárbara, muito obrigado pelo nosso papo! Você quer deixar algum recado para os alunos que te leem na plataforma?

Bárbara: Pessoal, um beijo! Leiam Anômalos! Se já leram, me mandem mensagens no Twitter, estou lá quase 24h por dia (risos). No Facebook eu respondo rápido também, sempre gosto muito de manter contato com os leitores. Conversem comigo e participem do Festival de Curtas da Árvore!

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